Referência de música eletrônica brasileira, Marina Diniz fala sobre os desafios de ser mulher DJ

Marina Diniz || Créditos: Reprodução

Mesmo em 2018 a proporção de mulheres DJs\produtoras que figuram os lines de festas e grandes festivais ainda é desproporcional em comparação aos homens no mercado da música eletrônica no Brasil. Embora elas venham conquistando cada vez mais espaço na cena, os desafios ainda são grandes. “Atualmente existe um número expressivo de mulheres DJs, que assim como eu, encaram como profissão e não apenas como hobby. Mas ser aceita, respeitada e valorizada como profissional ainda é um grande desafio da área. Não só uma menina por trás das pick ups e sim alguém que dá conta da pista e segura a festa à noite toda”, conta a DJ paulistana Marina Diniz, de 32 anos.

Marina deu start nas pickups com apenas 16 anos, mas o que começou como hobby logo se tornou profissão. Em 2007 se mudou para Dublin para desvendar a cena musical europeia. E, desde então, desponta nas principais pistas do Brasil e do mundo. Comanda agitos em Nova York, Paris, Londres, nas praias badaladas de St. Tropez e Sicília e até no deserto de Israel. Mesclando house music e disco com o que tem de mais bacana na música brasileira – incluindo samba-rock, funk soul e bossa nova –, Marina se tornou uma referência de música eletrônica brasileira.

Como a maioria das mulheres que atuam em profissões predominantemente masculinas, a DJ conta que, indiretamente, muitas vezes enfrentou machismo e sexismo. “Não foram casos que desrespeitassem a mim e ao meu trabalho, mas acredito que a melhor maneira de enfrentar essas situações e conquistar respeito é ser profissional e fazer um bom trabalho”, afirma, garantindo que o mais importante é fazer o que ama e poder proporcionar experiências incríveis para quem está na pista.

E é fazendo o que ama, que Marina segue conquistando seu espaço.

Entre um set e outro, ela ainda arranja tempo para criar remixes exclusivos, que refletem sua personalidade marcante. Seu cover de Torn, originalmente cantada por Natalia Imbruglia, bateu sete milhões de plays no Spotify e ficou entre as sete melhores da rádio Jovem Pan.  Under the Sun, Feel Like no Other e Happy Friends são outras canções de autoria própria. Essas não saem de playlists de quem ama música eletrônica. Em setembro, ela se joga em busca de mais e passa a viver entre Londres, Nova York e Los Angeles. Mantem a agenda ativa para projetos nos quatro cantos do planeta.

Para inspirar as mulheres que estão em busca de seus sonhos como DJs, ela entrega um conselho: “Dedicação sempre. Pesquisar bastante repertório, não só as músicas que tocam na rádio e sim tudo sobre música, de anos atrás até os dias de hoje. A técnica se conquista na prática. Mas repertório e comprometimento destacam qualquer DJ”.